“Perspectivas da Hotelaria Brasileira em 2020”

Publicado em 05/09/2019 13:51

Rio, 26 de Julho de 2019

Em meados de 2013, um grupo de donos de Hostels e Bed & Breakfast do Rio de Janeiro, dentre eles este que vos escreve, participava de um curso de 1 dia no SEBRAE-RJ, visando uma melhor preparação para o Copa do Mundo no Brasil no ano seguinte. Durante o curso, percebendo que os anseios, dificuldades e questionamentos dos presentes eram similares, decidiu-se por fortalecer e organizar o grupo fundando uma associação. Em 3 meses estava fundada a ACCARJ (Associação de Cama e Café e Albergues do Estado do Rio de Janeiro), hoje mais modernamente chamada de RioHost. Conto essa história porque no ano seguinte, 2014, durante um debate em um evento de Turismo no qual a ACCARJ participava, me fizeram pergunta parecida com esta que motiva este artigo: o que eu esperava do Turismo no Brasil para os próximos anos? Em meio ao otimismo geral e a o BOOM do mercado de meios de hospedagens e do turismo no Rio e no Brasil, por conta dos grande eventos que aconteceriam no país, eu respondi com uma previsão no mínimo estranha: Toda bolha explode, por isso, num futuro próximo, só os fortes e organizados sobreviverão e colherão os verdadeiros frutos!!!

Poucos botaram fé!!!

Pseudo empresários desavisados e despreparados, que faziam parte do tal BOOM, ganharam muito dinheiro em pouquíssimo tempo e acharam que ficariam ricos rapidamente.

Ledo engano!!! Dando dados a esse BOOM, só o município do Rio, que deu muitos incentivos por conta da Rio 2016, chegou a ter cerca de 300 hostels e 52 mil quartos de hotel em 2015. A título de comparação, enquanto o Brasil inteiro recebe uma média de 6,5 milhões de turistas estrangeiros por ano (número estagnado a 10 anos), Barcelona, que recebe uma média de 32 milhões de turistas estrangeiros por ano, tem mais ou menos 150 hostels. Sem grandes eventos pós 2016, não era preciso ser nenhum Nostradamus para prever o que eu previ. A crise no setor independia de crise econômica mundial!!!

Passado os grandes eventos, a previsão começou a se concretizar!!! Na verdade, até se adiantou. Desde de 2015, entre Copa do Mundo e Olimpíadas, impulsionada pela crise instaurada no mundo e que começava a atingir o Brasil, alguns estabelecimentos do setor já começaram a fechar. Principalmente no nicho da hostelaria, que abre mais fácil, mas também fecha mais fácil. Apesar do sucesso praticamente instantâneo na Copa do Mundo, muitos não conseguiram aguentar o limbo que foi 2015 e encerraram suas atividades ainda naquele ano!!!

Antes de terminar 2016, apesar das Olimpíadas do Rio, o cenário para o Turismo no Brasil já estava bem tenebroso. A crise mundial que, segundo alguns “entendidos”, seria uma marolinha no Brasil, já tinha virado uma onda grande e em breve, somada a crise política interna, se tornaria um tsunami devastador. Neste momento, metade da minha previsão já tinha acontecido. Fracos e desorganizados já estavam ficando pelo caminho. Mais a frente até fortes e organizados decidiram por encerrar suas atividades, tamanha a crise que atingia o país e sem perspectivas para o futuro.

Entre 2015 e 2018, mais de 100 Hostels e 20 Hotéis fecharam suas portas só no município do Rio, segundo levantamento da ABHostels (Associação Brasileira de Hostels e Novas Hospitalidades) e da HoteisRio (Sindicato dos Meios de Hospedagens do Rio de Janeiro).

Questões ligadas a crise da economia brasileira, como a falta de investimento em infraestrutura, segurança e tecnologia e outras questões específicas do setor do Turismo como excesso de oferta em relação a demanda atual, concorrência desleal praticada por algumas OTAs (Online Travel Agencies), pouco apoio governamental para o fomento do setor e planejamento praticamente nenhum para captação de novos turistas, contribuíram para chegarmos onde chegamos. Milhares de vagas de emprego foram fechadas e milhões em impostos, quiçá bilhões, deixaram de ser arrecadados. Mas dizem que no fundo do poço, além de água, também tem uma mola!!!

O Turismo, diferente do petróleo, da indústria em geral e da produção agrícola, é altamente renovável e benéfico ao meio ambiente. Muitas vezes tendo por premissa a preservação deste. O potencial de geração de renda e emprego é praticamente infinito. No caso específico do Brasil, o potencial reprimido é absurdo. Dando mais um dado, só o Museu do Louvre, em Paris, recebe 4x mais turistas estrangeiros por ano do que o Brasil inteiro. O Turismo é tão incrível que independe do nível de desenvolvimento do país, vide Tailândia, Vietnã, Indonésia que vivem praticamente do Turismo. Geograficamente perto de nós temos Argentina, Chile e, mais recentemente Peru e Colômbia, que tem números gerais e proporcionais muito melhores que os nossos. O Turismo contribui em muito para o desenvolvimento desses países!!!

Faltava a segunda parte da previsão se concretizar. Parece que esse momento finalmente chegou!!! Em 2014 quando previ a crise no setor para 2017 e a recuperação com frutos para os “sobreviventes” para 2019, errei os anos em ambos. A crise veio antes e a recuperação vem em 2020!!!

Finalmente os Governos perceberam que, plagiando o atual Governador do Rio de Janeiro, “O Turismo é o Novo Petróleo”. Um petróleo que não tem fim e não degrada o meio ambiente. Junta-se a isso a retomada da economia mundial e o início da retomada da economia brasileira, números da segurança pública melhorando, ajuste de oferta em relação a demanda atual, investimentos em infraestrutura básica, de transportes e aparelhos turísticos, ações para abrir o mercado da aviação no Brasil, ações de marketing direcionadas, como o aumento da participação brasileira em feiras do setor em outros países, união e organização das entidades que representam o setor, aumentando sua representatividade junto aos Governos são alguns fatores que me fazem estar extremamente otimista para o ano de 2020!!!

Sendo assim, que venha 2020!!! E vai ser um exxxxxxtouro!!!!

Apresentação:
Leo Barroso é carioca da gema e aos 38 anos de vida, já tem mais de 20 anos de experiência como operador e empreendedor no mercado hoteleiro e hosteleiro brasileiro. Fundador e atual presidente da ABHostels (Associação Brasileira de Hostels e Novas Hospitalidades), fundador e ex-presidente da RioHost (Associação de Cama e Café e Albergues do Estado do Rio de Janeiro), atual Diretor de Hostels e Novas Hospitalidades do HoteisRio (Sindicato Patronal dos Meios de Hospedagem do Município do Rio de Janeiro), conselheiro da Equipotel e sócio-fundador da Rede Bamboo Hostels, com unidades nas cidade do Rio e de Búzios.



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